Negócio da Laranja


O negócio da laranja foi, sem dúvida, uma grande fonte de riqueza para a freguesia da Terra Chã, onde existiram boas e belas quintas com pomares de laranjeiras. A laranjeira foi trazida para os Açores no século XVI e aqui se desenvolveu muito bem, graças ao solo e condições climáticas. A cultura da laranja espalhou-se pela Ilha Terceira. De ínicio, era uma economia de subsistência, mas, na segunda metade do século XVII, passou a constituir uma economia de mercado. No período de 1873 a 1875, pouco mais ou menos, houve uma grande exportação de laranja para a Inglaterra, onde era comercializada. A actividade comercial nesta freguesia processava-se do seguinte modo: os comerciantes compravam as laranjas ainda nas árvores; o "cabeça do rancho" (o encarregado), fazia a avaliação dos pomares. Quando os navios ingleses estavam atracados no porto de Angra um dos homens dos comerciantes percorria as freguesias avisando "há navios!". Os homens de trabalho depressa se dirigiam aos pomares para a apanha da laranja. Esta era transportada para o porto, embalada em caixotes, separada por folhas de milho para não se esmagar. Toda a riqueza desta freguesia vinha dos seus frutos dourados, cuja abundância formava um quadro assombroso e admirável. A razão da decadência desta cultura foi a grande baixa de preços que a laranja obteve na Inglaterra e a doença que veio atacar as árvores. Há peças de louça inglesa que, ainda hoje, são herança do negócio da laranja na Terra Chã. Elas eram comercializadas em troca de fruta, tal como os exemplares aqui ilustrados.(Terra Chã - Roteiro cultural, 1999)